Emoções são como crianças: dê atenção a elas, mas não deixe elas tomarem as decisões

Talvez o fenômeno mais interessante da nossa mente sejam as emoções. Porque elas são fenômenos poderosos. As emoções como raiva, culpa e medo são as coisas mais intensas que nós vamos sentir na vida, talvez com a exceção de uma dor forte. 

Existem duas correntes de pensamento dominantes a respeito de como lidar com as emoções: uma diz que nós precisamos ignorar as emoções. Outra diz que nós precisamos seguir as emoções. Depois de passar mais de 3 anos meditando eu percebi que as duas estão erradas. 

Se você observar com cuidado a sua própria mente funcionando, você vai perceber que na verdade as nossas emoções são como crianças, elas só querem um pouco de atenção. Elas querem ser reconhecidas, acolhidas, aceitas. Por incrível que pareça, para ter uma relação saudável com as suas emoções, você não precisa fazer absolutamente nada além disso. 

Se nós damos atenção a elas – ou seja, se nós sentimos essas emoções -, elas vão ficar por alguns momentos e logo vão embora. Se nós as ignoramos, elas vão ficar ali, pedindo atenção, gritando cada vez mais alto, até que seja impossível ignorá-las. 

A questão é que dar atenção às emoções negativas é fácil de falar e difícil de fazer…

Durante a meditação, especialmente se você estiver começando agora, você vai perceber que colocar a nossa atenção diretamente sobre as emoções negativas é como ficar em pé dentro de uma fogueira. Quando a atenção pousa sobre a emoção, existe uma amplificação daquela sensação. É como olhar para algo com uma lupa, de repente aquilo toma uma grande proporção. No início, nossa mente vai tentar evitar isso de todas as formas e é preciso muita prática para acolher essas emoções com tranquilidade. 

Vamos imaginar que você tenha brigado com sua(seu) parceira(o) e esteja sentindo muita raiva e decida seguir o meu conselho e simplesmente dar atenção a essa emoção. Quando você fechar os olhos e tentar fazer isso você vai perceber que a emoção é como fogo, é muito intensa, e sua mente vai tentar te impedir de sentir a emoção completamente de diversas maneiras. Primeiro ela vai te contar histórias, na forma de sequências de pensamentos, dizendo como seu(sua) parceiro(a) é uma idiota, como ela faz assim quando deveria fazer assado e não sei o que… vai criar imagens mentais vívidas de situações passadas… vai te forçar a fazer alguma atividade, como comer algo, ou assistir um vídeo no celular, entre outras coisas. Ou seja, sua mente vai tentar te impedir de sentir aquela emoção diretamente, ela vai tentar te distrair, porque a emoção é muito intensa e desconfortável. E a sua mente tem um arsenal de distrações preparadas e programadas para fazer isso. 

Eu preciso dar atenção às minhas emoções, mas minha mente me impede de fazer isso. Então como resolver esse problema? Como vencer a tendência da mente de nos distrair? A resposta é praticar. E não existe nada melhor pra isso do que meditação e mindfulness. 

Meditação vai fazer pelo seu cérebro o que a atividade física faz pelo seu corpo. 

Quando você finalmente conseguir colocar a sua atenção na emoção, sem se distrair com pensamentos, veja como ela rapidamente se acalma. As emoções – e qualquer coisa que apareça na sua mente – têm uma meia vida curta, sejam elas “positivas” ou “negativas”. E agora, aquela mesma situação estressante (como a briga do exemplo acima) não tem mais tanto efeito sobre você, porque você sabe que da próxima vez basta acolher a emoção sem resistência e você ficará em paz. O preço que nós precisamos pagar é encarar de frente o desconforto intenso causado pela emoção no nosso corpo, e nada além disso. Aqui infelizmente não existe um atalho. A vida exige coragem.

As alternativas são:

  1. Reprimir as emoções:

    Na verdade nenhuma emoção é reprimida com sucesso. Na meditação você vai perceber com clareza que as emoções que não são processadas adequadamente sempre retornam, e as vezes retornam de forma torta e causando muito mais estrago do que o necessário, como vícios e reações explosivas (os homens são especialmente suscetíveis a esses problemas).  
  2. Seguir as emoções:

    As emoções nascem em uma parte primitiva do nosso cérebro, uma parte que não foi feita para tomar decisões complexas do tipo: escolher uma parceira(o) para a vida toda, ou definir uma rotina saudável de vida. Deixe o seu córtex pré-frontal tomar essas decisões. 

Em outras palavras: nós somos seres humanos e nós nunca vamos escapar das emoções. Na realidade elas são um ingrediente essencial da nossa vida, elas dão sabor a todas as nossas experiências. A forma mais saudável de lidar com elas é acolhendo – sem julgamentos e sem resistência – todo o espectro de emoções disponíveis para nós, desde as mais intensas até as mais prazerosas. Não existe independência das emoções, mas existe independência com as emoções.

 

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