Responsabilidade total sobre nossa vida

Um conceito que fica cada vez mais claro para mim é que para sermos independentes, nós precisamos assumir responsabilidade total sobre o que acontece a nossa volta. Se não fizermos isso, nós ficamos presos no degrau evolutivo em que nos encontramos. 

E quando eu digo responsabilidade total, eu digo no sentido mais amplo que nós podemos imaginar. 

Nosso relacionamento está péssimo? Ao invés de tentar colocar a culpa no nosso parceiro(a) e dar a situação como resolvida, é muito mais produtivo fazer as seguintes perguntas: Quais atitudes eu tomei para ficar nessa situação? Existe algo que eu possa fazer para melhorar isso? Se não tiver, como eu posso sair disso? Como eu posso evitar isso no futuro? 

Nosso funcionário não está trabalhando direito? Ao invés de deixar a raiva dominar e começar a apontar o dedo, é melhor pensar: Como eu posso motivá-lo? Será que eu posso colocá-lo em uma função onde ele seja mais eficiente? Como eu posso contratar um funcionário mais produtivo no futuro? 

Enquanto nós procuramos um culpado do lado de fora, nós não encaramos as verdadeiras questões do lado de dentro. 

Encontrar um culpado é a forma mais rápida e fácil de encontrar uma justificativa para uma determinada situação. Nada mais é do que a nossa mente economizando energia e parando de trabalhar em uma questão que de outra forma seria de difícil resolução. Quando nós encontramos essa justificativa, nós nos damos por satisfeitos e continuamos exatamente do mesmo jeito – sem evoluir. 

Vamos imaginar uma cena onde eu estou parado tranquilamente com meu carro no semáforo e alguém bate na minha traseira porque estava digitando ao celular distraído. Aqui nós temos duas atitudes básicas de dois tipos de pessoas:  

O primeiro tipo vai xingar o motorista que bateu, vai reclamar da imprudência do motorista para a polícia, para a família, vai falar sobre como é irresponsável quem usa o celular enquanto dirige, vai contar como foi injustamente prejudicado, e por fim vai concluir que não teve responsabilidade alguma no ocorrido e vai continuar a vida do mesmo jeito, sem nenhuma análise funcional do fato.   

O segundo tipo vai respirar fundo, controlar a raiva, aceitar que aquilo acabou de acontecer e que essas coisas acontecem de tempos em tempos e fazem parte da vida de qualquer pessoa, vai conversar de maneira prática com o outro motorista para tentar resolver a questão, vai tomar as providências necessárias junto à seguradora, talvez chegar em casa naquele dia e planejar uma reserva financeira para pagar a franquia do seguro na próxima vez que algo assim acontecer novamente, talvez avaliar se aquele plano de seguro é o mais adequado de agora em diante etc.

O primeiro tipo não assume responsabilidade total, o segundo tipo assume. Qual dos dois tipos vai ter os melhores resultados na vida, considerando o longo prazo? Qual dos dois está em constante evolução? Qual dos dois se sente mais livre e independente de interferências de terceiros? O primeiro tipo só tem uma vantagem, vai ter uma vida mais confortável no curto prazo, pois não vai precisar fazer o esforço mental necessário para evoluir.

É claro que da perspectiva da sociedade como um todo, nós precisamos atribuir responsabilidades para as pessoas. Em uma sociedade saudável nós precisamos responsabilizar aqueles que tem comportamentos prejudiciais através de instituições e mecanismos sociais construídos para tal. Mas da perspectiva do indivíduo, da minha ou da sua perspectiva, a forma mais saudável de encarar a vida é encarando como nossa vida (com tudo o que tiver dentro dela) e nossa responsabilidade. 

Também é importante não confundir responsabilidade total com tentar controlar tudo. Algumas coisas, e principalmente as pessoas, assim como os fenômenos climáticos, estão fora de qualquer possibilidade de controle direto e preciso. As pessoas agem de acordo com códigos genéticos pré-definidos combinados com experiências passadas e crenças. Tentar controlar as pessoas a nossa volta é uma receita infalível para o sofrimento. É mais produtivo simplesmente saber contornar as situações, aceitar o que já aconteceu ou o que é inevitável que aconteça e talvez escolher melhor os nossos relacionamentos. 

Quando nós olhamos à nossa volta, tudo o que acontece da perspectiva de quem observa acontece dentro da nossa consciência. Um pássaro canta, um carro passa na rua, uma pessoa joga uma garrafa no chão. Tudo isso está acontecendo no mundo exterior, mas também está acontecendo dentro da nossa mente, dentro da nossa realidade prática – dentro da nossa experiência direta. Já que está acontecendo dentro de nós, independente da nossa vontade, a melhor atitude – a atitude mais conducente a uma vida plena – é assumir tudo isso para nós. Pegue a realidade inteira para si e diga: tudo isso sou eu, tudo isso faz parte de mim e tudo isso é minha responsabilidade. 

Um dos meus mestres sempre me disse: “nada vai mudar a não ser você mesmo”. 

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