Pare de comprar coisas e compre independência

Quando nós falamos sobre dinheiro, nós logo pensamos em números numa conta bancária ou nas coisas que nós podemos comprar. Mas encarar as nossas finanças como uma questão puramente matemática e material é um erro que custa caro. 

Para termos uma relação mais saudável com o dinheiro, nós temos que entender essa questão como uma questão essencialmente emocional, como tudo na vida.  

Ter uma boa relação com as nossas emoções é o fator que terá o maior impacto na nossa independência e no nosso sucesso. Por isso nós temos que redefinir as nossas prioridades através de uma visão diferente da realidade. 

Uma forma simples de aumentar o nosso controle emocional é construindo uma reserva financeira de emergência que corresponda a 6 meses de gastos. Eu explico: 

A satisfação emocional gerada pela aquisição de um novo objeto, como um carro por exemplo, é passageira, por mais intensa que seja. Geralmente, nos primeiros dias existe uma grande euforia que vai diminuindo rapidamente conforme os dias vão passando até que nós voltamos à estaca zero, em termos de prazer. 

Já a satisfação gerada pela construção e manutenção de uma reserva financeira vai te acompanhar até a velhice, por mais sutil que seja essa satisfação. Com a nossa reserva construída, sempre que surgir um pensamento ameaçador na nossa mente, sobre a possibilidade de uma dificuldade financeira futura, logo um novo pensamento vai surgir, de que nós estamos protegidos caso o pior aconteça. No longo prazo, o benefício emocional desse pensamento vai ultrapassar com folga qualquer benefício gerado pela aquisição de um novo objeto. 

A reserva é feita para nunca ser utilizada, ela é feita para servir como uma âncora emocional, um seguro, um colchão para amortecer uma eventual e improvável queda. Mas na eventualidade de nós precisarmos usar essa reserva, ela será ainda mais importante, pois vai nos impedir de entrar em dívidas, algo que nós devemos evitar com todas as nossas forças. 

Dívidas cobram um preço emocional que nós não queremos pagar. Elas colocam pressão sobre todos os aspectos da nossa vida, elas atrapalham o nosso sistema nervoso e colocam stress sobre os nossos relacionamentos e sobre a nossa vida profissional. Tudo isso tem um impacto enorme sobre as nossas chances de sucesso – e aqui eu uso a palavra sucesso em todos os sentidos: sucesso financeiro, sucesso na vida em família, sucesso na saúde etc. 

Dívidas são grandes inimigas da nossa independência. 

Agora imagine que existisse uma pílula mágica, que fizesse você ter 10% menos chances de brigar com sua esposa(marido) ou namorada(o), que fizesse você ser 10% menos estressado no trabalho, 10% mais calmo durante as crises, 10% mais produtivo, dormir 10% melhor etc.  

Essa pílula existe, você só precisa tomar uma vez, e custa 6 vezes os seus gastos mensais. 

Sem uma reserva de emergência nós estamos andando sem um escudo, sem uma proteção contra os golpes e curvas normais da vida, e nossas emoções vão nos punir por isso. Quando nós estamos em uma situação financeira desconfortável, nossos nervos estão à flor da pele. Essa instabilidade emocional vai fazer com que seja mais difícil se manter equilibrado nas situações do dia a dia. 

Ok, agora que nós entendemos os reais motivos para construir a nossa reserva, vamos falar de como fazer isso na prática: 

A barreira entre você e as dívidas

Para a reserva de emergência eu preciso de, no mínimo, 6 meses de gastos. Se eu tenho despesas mensais no valor de R$ 5.000,00, eu preciso de uma reserva de emergência de pelo menos R$ 30.000,00. Se eu tenho despesas no valor de R$ 10.000,00, eu preciso de R$ 60.000,00. 

Como nós fazemos para acumular essa quantia? 

  • Passo 1: coloque todos os seus gastos mensais no papel (para isso nós vamos anotar todos os nossos gastos durante o mês); 
  • Passo 2: corte gastos de forma que você ganhe mais do que gasta (no mínimo 10%, de preferência 30% ou mais); 
  • Passo 3: pague suas dívidas (inclusive financiamento de imóvel ou veículo); 
  • Passo 4: guarde o equivalente a 6 meses de gastos. 
  • Passo 5: veja na prática o incremento dessa atitude na sua confiança e sua autoestima e se pergunte como você conseguia viver daquela forma. 

Onde colocar esse dinheiro?  

Para a reserva de emergência nós precisamos de uma aplicação financeira com liquidez imediata ou quase imediata, ou seja, uma aplicação que possa ser resgatada com rapidez. 

  1. Poupança (tem má fama, mas pode ser resgatada inclusive aos domingos e feriados, o que é uma grande vantagem); 
  2. CDBs com liquidez diária; 
  3. Tesouro Selic; 
  4. Fundos DI. 

Construir uma reserva de emergência não é o último passo na nossa independência financeira, existem vários outros passos que eu vou tratar nesse blog futuramente e que vão aprimorar ainda mais o nosso estado emocional. Sem independência financeira nossa independência emocional fica comprometida, e promover independência emocional é o objetivo último desse blog.

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